quinta-feira, abril 16, 2015

Life is fucking good.


Outro dia parei, olhei para um horizonte imaginário e pensei: "olha só, não está doendo mais!"

Eu pulei carnaval pelas ruas do Rio de Janeiro com as meninas dispostas a pura diversão. Eu bebi além da conta, desisti de toda a farra e peguei o metro para ir para casa. Aquilo já era demais para mim.
Eu fui jantar fora com quem não queria e falei sobre assuntos chatos aleatórios para manter a mente ocupada.
Teve um momento que não era mais possível aguentar e mandei uma mensagem no grupo de amigos no whatsapp com a sigla S.O.S. Isso é algo sério para o grupo, significa que quem enviou a mensagem precisa de ajuda imediata. Então eu pedi: "me liguem...peça para eu ir ao encontro de qualquer um".
O telefone tocou e eu fui embora.
Eu respondi mensagens que não queria responder tentando me dar uma chance.
Eu não preciso de chance.
As crianças na Somália precisam de uma chance.
Eu só preciso colocar as minhas idéias em ordem e me dedicar ao que realmente me faz feliz.
Eu viajei para o Deserto do Atacama clamando por aventura e a encontrei em diversas formas, cores, dores, lágrimas e descobertas.
Eu pedalei 82km a mais de 2.400 de altitude. Eu mergulhei em lagoas que me amedronto só em pensar na profundidade, porém, como a concentração de sal era muito alta...eu flutuei. Eu respirei e pensei: "deixe ir e deixe vir..."
Eu tive minha pele queimada de forma severa pelo sol onde filtro solar não era o suficiente e por conta do calor e do clima seco, bebia cerca de 6 litros de água por dia.
Eu fiz trilhas de 17km e contemplei o silêncio das montanhas. Contemplei o silêncio da minha alma. Sim, a minha alma estava calada, em silêncio, muda...procurando de forma compulsiva uma solução. A minha alma buscava o osso do cachorro enterrado no quintal de trás da casa...enquanto isso eu me cansava, eu estava ofegante mas eu não pensava em parar de procurar. A minha alma buscava a cereja do bolo...e eu era incapaz de encontrar. Não encontrava nem mesmo o caminho para a cereja. Logo ela que é tão evidente, tão magnânima...lá, no topo do bolo...sozinha e imponente.
Eu atravessei o norte do Chile e depois retornei tudo. 
Sozinha. 
Cheia 
e muito vazia.
Meu mochilão e eu temos tanta coisa para contar. Já tivemos voos ótimos, voos com turbulências as quais eu pensava: "pega no sono, Ana Carolina!", trilhos sofisticados que atravessam a Europa e estradas insalubres que cruzam a Bolívia.
A questão é que eu me sinto exausta. Não consigo mais carregar o meu mochilão, não posso colocar mais nada dentro dele pois já está com excesso de peso mesmo eu tendo o cuidado de me manter em uma viagem com apenas 50L de bagpack.

Semana passada eu me mudei (risos).
Meu apartamento novo está um caos (suspiro e risos).
Eu olhei em volta no apartamento antigo...meio vazio, meio sujo e tive uma crise de choro. 
Pensei: "foi para cá que vim quando disse ao meu ex marido que não queria mais. Foi aqui onde recomecei..."
Quantas vezes você já recomeçou?
Conversando com uma amiga essa semana eu disse a ela: "estamos nos saindo muito bem!"
Eu estou me saindo perfeitamente bem.
Eu sou tão apaixonada pela minha vida, pelos meus amigos, meus filhos, meu trabalho, meus projetos, minha religião...é uma junção de muito amor concentrado em cada poro do meu corpo.
Se eu tivesse a chance de viver outra vida, eu ainda escolheria a minha e todo o pacote que veio junto comigo quando estava na cerimônia do ar e disse HAI!


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