quarta-feira, junho 17, 2015

Protection.

Com os olhos embaçados eu deixo a chuva cair no meu rosto e o gosto salgado das lágrimas se misturam às gotas geladas que caem do céu. O vento frio me faz ter calafrios e tento manter as mãos aquecidas. As luzes dos carros parecem distantes demais de mim, deve ser poque eu me sinto longe de tudo o que é palpável, tudo que é real.
Eu também me sinto muito longe de você.
Geograficamente não é bem assim, penso eu.
Será mesmo que o caos seria uma ordem ainda não desvendada? Era a frase de abertura de um filme que tentei assistir com uma amiga num lindo domingo de sol que nada fora de casa parecia nos seduzir o suficiente e trocamos tudo...por tudo. Entende?

Finalizamos o primeiro semestre do ano e eu continuo naquela busca incansável. Ando preocupada com meus projetos em andamento, sem andamento, projetos que não saíram do papel e projetos que ainda nem foram para o papel. Tem uns que ainda não foram nem mesmo para o bloco de notas do meu iPhone.
É o tal do osso do cachorro enterrado no quintal de trás da casa que eu escrevi outro dia.
Dá vontade de desistir de tudo, juntar tudo o que acumulei durante anos e passar a dar sinal de vida uma vez por semana aos interessados.
Por quanto tempo eu aguentaria viver de forma tão anônima?
Eu devo aguentar bem. Vivo de forma anônima para você.
E eu sinto o gosto salgado da lágrima enquanto escrevo essas palavras soltas mas nem tão soltas assim.
Não é amor, é só TPM, eu juro.
Vou comprar umas barras de chocolate com bastante amendoim e sentir a dor e o amor...dentro de mim, fugindo de mim. Porque é isso que têm acontecido comigo. As coisas andam sumindo de mim. As coisas meio que desaparecem e eu tento mantê-las em minhas mãos, segurando com todo o cuidado e atenção e elas vão passando por entre meus dedos...indo embora e eu não sei o que dizer.
Eu não sei como reagir.
Não sei o que fazer e fico me perguntando quando tudo isso começou que eu não fui capaz de perceber.
Quando foi que passou a doer mais do que me fazer sorrir.
Quando foi que eu te quis de verdade.
Em que momento a estupidez ultrapassou minha sanidade e me fez tão patética quanto apaixonada.
Eu realmente desejo que você tropece em um rodapé da sua casa e que seu dedo mindinho doa. Muito.
Esse é o máximo de maldade que eu consigo desejar a alguém?
Francamente, Ana Carolina.
Eu desejo que você veja esperança em todos os lugares e de todas as formas. Desejo que as manhãs tenham cheiro de café recém feito e que aquele cheirinho de pão francês de padaria entre pela janela do seu quarto e abra seu apetite. Que abra seu apetite sexual inclusive...porque você tem o melhor cheiro do mundo.
Eu desejo que as suas lágrimas sejam somente de felicidade absoluta e que seus medos não passem de pesadelos bobos após ler algo do Stephen King (eu sempre acho que alguém pode ter pesadelo ao ler as coisas dele)
Desejo que alguém te ame com a mesma intensidade que você amar e que a pessoa seja somente sua e o oposto. Desejo que você tenha certeza disso e o outro lado, certeza absoluta.
Te desejo domingos de praia e domingos preguiçosos.
Sábados de cinema e de noitada.
Semanas monótonas e animadas.
Filhos lindos que te tenham como melhor referência do mundo e que você escute, eu te amo todos os dias...in eight different languages...
Eu te desejo tudo de melhor que a vida pode oferecer mas que ainda não presenteou ninguém. Eu desejo que esse presente seja para você.

E o que eu desejo para mim?
Eu poderia ser a Kate Winslet em Eternal Sunshine of the Spotless Mind e não fazer a mínima idéia que você um dia passou pela minha vida.

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